Rui é médico veterinário e Filipa é enfermeira veterinária. Ambos trabalham na AnimaisVet

 

Com a chegada da Primavera e o aumento das temperaturas, aumentam também as visitas ao veterinário por causa dos parasitas externos, principalmente pulgas e carraças. Manter um animal livre de parasitas é muito importante não só para o seu bem-estar mas também para a tua saúde e de todos os que convivem com ele. Pulgas e carraças são muitas vezes motivo de aparecimento de doenças que podem ir desde a dermatite alérgica por picada da pulga até à febre da carraça ou à hemobartonelose, entre outras. Por isso, deixamos aqui três simples passos para manteres o teu animal saudável e livre de parasitas.

1. Aposta na prevenção

Nunca esperes até encontrar parasitas para, depois disso, aplicar um desparasitante externo. Aposta sempre na prevenção. Embora o número de parasitas externos no ambiente aumente bastante nos meses mais quentes, existem parasitas durante o ano inteiro, pelo que é muito importante manter sempre as desparasitações em dia. E desengana-te se pensas que, por estar dentro de casa, o teu animal está livre destes parasitas. Os animais que vivem exclusivamente no interior também estão sujeitos a infestações, principalmente de pulgas, uma vez que nós podemos transportar na nossa roupa e sapatos os pequenos ovos destes parasitas.

2. Escolhe o desparasitante mais apropriado

Hoje em dia existem inúmeras opções para prevenção do aparecimento de parasitas externos. Coleiras, pipetas, comprimidos mensais, comprimidos trimestrais, “sprays”. Um sem fim de opções. Aconselhares-te com o teu médico ou enfermeiro veterinário sobre qual a melhor opção para o teu animal é fundamental. A escolha do desparasitante externo a utilizar depende de vários factores, desde a idade e o peso do animal até ao local do país em que vives. Um animal que toma banho com frequência, por exemplo, deverá, se calhar, optar por um desparasitante em comprimido. Já um animal que vive (ou viaja para) em zonas de grande incidência de “leishmaniose” (doença transmitida pela picada de um mosquito) deve usar um produto que o proteja também de moscas e mosquitos. Um animal que convive com algum “amigo” que tem o hábito de roer não deve utilizar uma coleira, pois haverá uma enorme probabilidade de esta desaparecer ao fim de apenas algumas horas. E estes são apenas alguns dos pontos em que o teu médico ou enfermeiro veterinário assistente te podem ajudar na escolha do produto mais indicado para o animal. É muito importante que te aconselhes junto de quem conhece o animal e os seus hábitos e que, juntos, decidam qual o desparasitante mais eficaz para. Caso contrário, corres o risco de gastar dinheiro num produto que poderá vir a ser insuficiente ou inadequado.

3. Seja qual for o desparasitante, aplica-o bem

A forma como se aplica, o local ou a frequência influenciará determinantemente a eficácia do desparasitante escolhido. Por exemplo, todas as pipetas devem ser aplicadas pelo menos dois dias antes ou dois dias depois do banho e nunca imediatamente após o banho. Devem ser aplicadas bem junto à pele e não por cima do pelo e devem também ser adequadas ao peso do animal e aplicadas na sua totalidade. E qualquer uma delas, ao contrário do que quase toda a gente pensa, apenas garante protecção durante um mês. Se optares por uma coleira, é importante que saibas exactamente qual a sua duração e que a mantenhas sempre limpa e justa, pois se não estiver em contacto com a pele não vai exercer a sua função. Caso escolhas o comprimido deves estar informado de qual a frequência com que deves dar o produto ao teu animal e qual o horário mais indicado para a toma (normalmente, o ideal é após a refeição).

Mantém-te informado, pela saúde do teu animal de estimação.

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