Tenho um cão e para já chega e basta. Falo de um cão com energia de três; acreditem, não estou a exagerar. A melhor forma de o apresentar? É um cão de dois anos e meio com uma barra de energia inesgotável, que passeia sem trela e à base de lançamentos longos de uma velha bola de ténis.

Entre três a quatro vezes por dia faz o seu brilharete na rua e, até hoje, só por uma ou duas vezes o vimos deitar-se de cansaço. Amante de idas à praia, onde vai com frequência dada a proximidade, é daqueles cães que não consegue não cumprimentar alguém, chega a ser exagerado o seu lado sociável. Buddy da parte da dona e Feijão da parte do dono — é o nome oficial, mas já conta com mais de quatro variantes. Com a tal bola na mão então, até Adilson lhe parece bem. Felizmente é educado, 95% em casa, 80% na rua. Não é um cão que ande sem trela ao lado (ainda), mas também não é um cão que se esquece de quem o criou.

Entrou na nossa vida com quatro meses, segundo o segundo veterinário que o viu — o primeiro achou que ele tinha seis. Mas, pelo crescimento, dentição, etc, chegou-se a conclusão de que o segundo tinha razão e aí soube-se o mês, Agosto. Decidimos então que o dia do seu nascimento deveria ser o dia 26, dia do cão, em homenagem a todos os outros que não tiveram a sorte deste e de outros animais de estimação: a adopção. Nasceu na rua, de uma ninhada onde apenas ele e uma irmã sobreviveram, é do centro de Lisboa e foi salvo por uma senhora que, infelizmente, não pôde ficar com ele, mas que o recuperou, dado que nem pêlo tinha devido à má alimentação. Passaram-se umas semanas até que a minha namorada o viu, soube da história e decidiu avançar para a adopção, visto que o destino dele seria muito provavelmente o canil municipal.

Para além de cães, também gosto muito de cavalos, mas estes últimos ainda não é possível ter num apartamento, é pena. Nunca tinha tido um cão, isto é, um que vivesse directamente comigo. Mas o meu pai, separado da minha mãe desde cedo, sempre teve. Pássaros, gatos, cães, tudo passou por casa dele. E, claro, tanto eu como a minha irmã também os sentíamos como nossos. Era normal o meu pai salvar animais de rua e alguns foram apenas passageiros até o meu pai encontrar um lar para eles. Só com um cão e uma gata é que houve uma relação forte.

Hoje posso dizer que amor, amor incondicional, só com B’Feijão. Com ele aprendi a ser mais paciente e a sorrir pelos motivos mais simples do mundo. Felizmente já saíram leis recentes e duras contra o abandono e os maus tratos. Estou feliz por estarmos a assistir a uma evolução positiva nesse sentido. São incríveis os números que nos chegam quando se fala destas duas situações.

O maior conselho que posso dar a alguém que queira adoptar é que adopte com consciência. Os animais crescem, não serão bebés para sempre, irão precisar sempre de cuidados e de partilhar momentos convosco. Os animais não são presentes de aniversário, de namoro ou de Natal. Analisem sempre os prós e os contras. Aos que têm essa consciência, tenho a certeza absoluta de que irão ganhar um amigo para vida.”

Depoimento construído a partir de entrevista por email.

 

 

Duarte Gomes

Actor

30 anos

Natural de Lisboa, mas vive em Oeiras

Neste momento está a preparar o seu próximo projecto

Em 2016, foi um dos protagonistas da série Massa Fresca, na TVI, gravou a série Offline para a RTP

 

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