“Sempre tive animais. O meu primeiro animal foi um peixe; aliás, foram 35 peixes, num aquário gigante. Mas o primeiro animal que realmente me marcou foi um cão, um caniche chamado Pompom.

Nunca tive gatos, até porque sou alérgico, mas sempre gostei muito de cães. Agora tenho o Kamba que me foi dado por um amigo, cuja cadela teve uma ninhada — para mim, o comércio de cães como animais domésticos não faz qualquer sentido quando há milhares de cães a morrerem por ano em canis, prontos a amar e a ser amados.

‘Kamba’ significa ‘amigo’ em kimbundu. Quando, em família, estávamos a decidir como o iríamos chamar chegámos à conclusão que o nome teria de ter um significado directo de algo importante. Nada melhor do que ‘amigo’ porque, de facto, é ele é o meu melhor amigo. Visto que a minha irmã trabalha em Angola e eu próprio já lá estive uma temporada, decidimos optar pela palavra em kimbundu.

A chegada dele alterou muita coisa na minha vida. Agora, todas as manhãs antes de sair de casa fico 15 minutos a brincar com ele e quando volto do trabalho levo-o a correr. Todas as noites, depois do jantar, levo-o a brincar com os amigos dele. Para além disso, se estiver vestido de branco, tenho que vestir sempre um casaco antes de ir para o jardim porque nunca sei quando é que o Kamba vai querer saltar para me dar um abraço! .

Com ele aprendi que o amor é algo incondicional, e se os animais têm uma capacidade inimaginável de amar, nós devíamos fazer o mesmo. O Kamba é o meu companheiro de vida. Não sei falar a língua dele e ele não sabe falar português, mas percebemo-nos perfeitamente! Trato-o como se fosse um filho. Portanto, para mim, os direitos dele são praticamente os mesmos de qualquer outro habitante do meu lar.

Portugal está, sem dúvida, na vanguarda do altruísmo para com os animais. Sempre fomos um povo muito ligado à vida animal. Mas muitas pessoas arranjam animais de estimação porque acham piada ao facto de ter um só para mostrar às outras pessoas! Não façam isso! Não tenham um animal em casa porque isso vos traz qualquer tipo de satisfação! Arranjem um animal apenas se o vosso objectivo for dar-lhe uma vida feliz e o mais completa possível. Porque se for esse o caso, a alegria do vosso companheiro fará de vocês pessoas alegres. E acreditem que um animal amado ensina-nos mais a nós sobre os sentimentos “humanos” do que a maior parte das pessoas com quem nos cruzamos na vida.”

Rodrigo Paganelli
  • Actor
  • 24 anos
  • Natural de Lisboa, onde vive
  • Participa actualmente na novela Ouro Verde da TVI e entrou recentemente no filme Jacinta

 

Depoimento construído a partir de entrevista por email.

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