Joana Rita é filósofa e dog lover

 

Desde muito cedo que senti vontade em praticar o voluntariado e sempre que me foi possível coloquei essa vontade em prática, nas mais diferentes instituições e áreas de actuação. De há um ano para cá tenho-me dedicado ao voluntariado numa instituição sem fins lucrativos, que visa resgatar e acolher cães que precisam de uma segunda oportunidade.

Sempre gostei de cães: cresci na companhia destes patudos e a empatia que tenho por eles é daquele nível em que, se vejo um cão pela trela na rua, ignoro o humano e sorrio para o cão.

Comecei por amadrinhar um patudo nesta associação, assumindo a responsabilidade de o divulgar, de o visitar para uns passeios e também de apoiar financeiramente ou com bens (ração, por exemplo). Os passeios tornaram-se cada vez mais frequentes e o gosto por este tipo de voluntariado começou a crescer. Acabei por me oficializar como voluntária, acumulando este papel com o de madrinha do Fred.

A partir desse momento, tornei-me uma verdadeira “poop collector” — é um nome chique e “trendy”, não acham? Serve sobretudo para realçar o facto deste tipo de voluntariado envolver momentos menos bem cheirosos e muito pêlo de cão nas roupas. E o coração cheio — e essa é que é a parte mais importante de tudo. Costumo dizer que aos sábados a minha única preocupação é levar os miúdos (como carinhosamente chamo aos cães) à rua, garantir que nenhum se solta e apanhar os cocós que deixam pelo caminho. É um trabalho de responsabilidade, mas também e sobretudo de muito prazer.

Há lugar a ginásio: os passeios com os patudos mais enérgicos são exigentes e obrigam a boas caminhadas. Há aprendizagem: tenho aprendido imensas coisas sobre comportamento animal, com outros voluntários, tratadores e alguns especialistas que colaboram com a associação. Há boa disposição: acabo por trabalhar em equipa, com outros voluntários e isso é algo extremamente positivo. Há um sentimento de contributo: afinal, nós fazemos a diferença daqueles cães que, por motivos vários, vieram parar a um albergue e procuram uma família. Há investimento de tempo: sempre que posso, reservo umas boas horas por semana para ir até ao albergue para estar na companhia daqueles amigos de quatro patas.

Neste momento, este é o voluntariado que me preenche e que me motiva. Inclui cocós, cheiro a ração, roupas cheias de pêlos e muitos momentos de “namoro” com estes cães que merecem, todos, sem excepção um lar que os possa acolher de forma responsável e feliz. Afinal, estamos lá para os acolher, para os mimar, por vezes para lhes recuperar a fé na humanidade e, sobretudo, para os ver ir embora, na companhia de uma família.

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