“O Beat é o meu animal inseparável, que anda comigo para todo o lado. Sempre que posso, partilho tudo o que faço com ele. É o meu companheiro. Ao início surgiram muitos nomes. Como ele é um cão grande e beat tem a ver com algo grande e poderoso… ficou. Não foi muito difícil lá chegar.

Tive uma namorada que tinha um cane corso e convivi alguns anos com ele. Fiquei mesmo apaixonado pela raça e sempre quis ter um cão. Então comprei-o. Este foi o meu primeiro cão, meu mesmo. Quando tive oportunidade fui buscá-lo. Era a raça que eu queria e é um cão quase perfeito. É quase a minha cara-metade.

O Beat não surgiu numa fase específica. Foi a altura em que eu decidi ter um cão, a altura perfeita. É raro eu sair de casa sem ele. A verdade é que eu sou um bocadinho fora do comum, porque eu partilho a minha vida com ele. Ele vai comigo para o estúdio e para o ginásio. Metade do meu carro é dele: a parte de trás toda é dele. Portanto, eu faço questão de partilhar tudo com ele. Só mesmo quando é impossível e não dá mesmo para ele ir. De resto, está sempre presente. Desde que ele veio para mim, sempre o habituei a vários ambientes, a esperar por mim em vários sítios. Eles aprendem rapidamente aquilo que nós queremos. Eu, por exemplo, vou ao ginásio, deixo o Beat preso cá fora à sombra e ele fica à espera enquanto eu estou a treinar. Quem diz no ginásio, diz restaurante. Já aconteceu em muitos sítios.

Posted by Paulo Vintém on Freitag, 18. August 2017

 

Gosto do facto de ele estar lá sempre para mim. Já foi muito importante em várias fases da minha vida. Acho que é incondicional. Temos uma relação muito próxima e isso é fantástico, não é muito fácil de conseguir. Tem cinco anos, neste momento. Está mais ou menos a meio da vida dele, é saudável. Ainda vai ficar cá muito tempo. Está mais adulto e mais calmo. Já foi pai, teve uma ninhada.

Já tive um gato, mas ainda morava na casa dos meus pais. A ligação entre gatos e cães é muito diferente. Não tem nada a ver. Apesar de podermos trazer os gatos à rua, não consigo partilhar tanta coisa com um gato como consigo com o meu cão. É diferente.

Os animais são aquilo que mais gosto e com que mais me preocupo. Aliás, é tema de conversa várias vezes com vários amigos. Preocupo-me mesmo, até pelo caminho que as coisas estão a levar. Ainda há pouco tempo vi um vídeo que mostrava as espécies animais extintas nos últimos 100 anos. É preocupante. Muitas pessoas não ligam simplesmente a animais, tudo isso também tem que ver com uma questão de sensibilidade. Eu acho que esse meu sentido é muito apurado. Por acaso, não tenho um papel na protecção dos animais, mas já fiz parte de várias acções. Confesso que tenho a vida tão preenchida que não consigo ir a todas.

Portugal está mais desperto para estas questões. Eu acho que é importante partilharmos isso e não vermos os animais como outsiders. Obviamente que tem tudo a ver com os donos e com a educação que os cães têm. Mas, por exemplo, o Beat e os animais em geral não podem ir à praia, certo? No entanto, no outro dia vi um cartoon muito interessante: vemos uma praia, cheia de pessoas e lixo — garrafas e latas de sumos. Uma praia completamente suja. Nas dunas lá atrás, está uma cerca com cães porque eles não podem entrar. E a manchete era algo como ‘Ainda bem que a praia é interdita a cães, mas não é a porcos’. Era uma analogia deste género. Tudo tem a ver com a educação que cada pessoa dá ao cão, o que pode fazer com ele e os sítios onde pode ir.

Eu acho que estamos num bom caminho e há cada vez mais pessoas a preocuparem-se. As coisas estão a ser feitas. Demora é muito tempo até ficarem fomentadas. Lá está, a mim não me faz confusão nenhuma porque ando sempre com o meu cão para todo o lado. Sempre que ele não pode ir a algum lado, ele vai na mesma, mas espera por mim cá fora ou arranjo uma maneira de dar a volta. Eu não tenho muito stress com isso.”

Paulo Vintém

  • 38 anos
  • Nasceu no Montijo e vive em Lisboa
  • Tem uma produtora de vídeo, a Beat Movies
  • Está a trabalhar em temas novos que quer lançar em breve
  • Facebook / Instagram
Depoimento construído a partir de entrevista por telefone.

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