Há uma coisa que não deixa de surpreender Rachele Totaro de cada vez que a italiana contacta com animais resgatados de laboratórios de testes. É que a maior parte deles, apesar das “más experiências passadas”, “continua a confiar em humanos”, confidencia ao P3, por email.

Exemplos disso são os ratos e ratazanas nesta fotogaleria. Rachele, 35 anos, registou o momento em que cada um deles saiu de uma gaiola pela primeira vez. Quando foram soltos no exterior por voluntários da La Collina dei Conigli, associação de Milão dedicada à recuperação de animais sujeitos a testes laboratoriais, a italiana quis registar “o primeiro momento de liberdade”, tendo como cenário as mãos desses voluntários. Por um lado, queria mostrar “a relação preciosa que os animais estabelecem com estas pessoas – mãos que curam em vez de mãos que magoam”. Por outro, provar que ratos “podem ser excelentes animais de companhia”, “inteligentes e limpos”.

Do lado de fora da gaiola do laboratório, “cada um deles reagiu de maneira diferente”. “Quase todos pareceram surpreendidos ao início, depois alguns tentaram explorar as redondezas (sempre sob a supervisão dos voluntários), outros olhavam para os voluntários como que à procura de pistas para tentar perceber o que estava a acontecer.” Alguns, depois de perceberem que não estavam em perigo, “simplesmente adormeceram nos braços dos voluntários”.

Rachele lembra-se bem de outras situações de resgate que não dariam imagens tão felizes. “Há alguns coelhos que não permitem que humanos lhes toquem durante meses”, sublinha. Os primeiros animais resgatados pela associação italiana, recorda, “eram tão fracos e costumavam ficar em gaiolas tão pequenas” que, quando os libertaram e eles se tentaram mexer, “magoaram-se só a tentar ficar em pé porque tinham os músculos e os ossos deformados pela prisão”.

A italiana, que defende outras alternativas de investigação que não envolvam experimentação animal, trabalha no gabinete de comunicação da The Donkey Sanctuary, uma organização internacional de apoio a burros. Há seis anos começou a colaborar com a La Collina, a fotografar algumas das actividades da organização sem fins-lucrativos. “Os animais são os meus modelos favoritos porque sempre foi fácil para mim relacionar-me com eles.” Além disso, continua, “não têm filtros ou máscaras”.

A Collina dei Conigli dedica-se primeiro à recuperação dos animais sujeitos a testes laboratoriais, como coelhos, porquinhos-da-índia, ratos e outros pequenos roedores, e depois à sua recolocação. O objectivo é dar-lhes “uma nova vida” e promover uma maior consciencialização em relação aos animais, vistos “ou como comida ou culturalmente associados a imagens negativas”.

Desde 2011 que a organização italiana tem um centro de recuperação para antigas cobaias. “De acordo com a lei italiana, as cobaias que são saudáveis, ou que estão a recuperar dos testes, podem ser libertadas ao cuidado de pessoas individuais ou associações.” Quando chegam à Collina, são vistos por veterinários especialistas e o passo final, “depois de recuperarem física e psicologicamente”, é a adopção, diz a italiana que tem duas tatuagens que representam os seus coelhos: Johnny, Ribes e Neve, “os maiores professores” que a vida lhe trouxe.

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