“Nem sempre tive animais. Lembro-me de um animal curioso que recebi de presente de uma amiga. Tive como companheiro um rato-canguru, o Napúrio, que adorava passear em cima de mim. A particularidade é que cabia numa caixa de fósforos.

Neste momento, tenho uma deliciosa cadela da raça bulldog francês… a minha Baü. A minha relação com a Baü é feliz e alegre e com ela aprendi que o amor tem outras formas. Esta raça de cães tem características muito particulares: são animais muito brincalhões, companheiros, inteligentes e… ressonam. A Baü foi e é um presente de vida em todos os sentidos.

Eu gosto de animais e, se não habitasse na cidade e tivesse condições diferentes, poderia e gostaria de ter outros para além da Baü. Gosto muito de cavalos, do seu olhar, do porte, do trato e da mútua confiança que se estabelece.

Não reclamo particularmente o termo “defensor da causa animal”. Em consciência, tento intervir em cenários diferentes, onde são evidentes a injustiça, o abandono, os maus-tratos e é, de facto, verdade que não passo ao lado destas questões. Não considero que abordar os direitos dos animais seja, de forma alguma, uma moda. Chama-se consciencialização. Afinal, de uma forma ou de outra, este é um assunto com quase 200 anos de debate, que surge da observação dos maus-tratos aplicados a bovinos na Grã-Bretanha.

Nos nossos dias, é gratificante perceber a dimensão deste envolvimento, deste acreditar. As questões dos direitos dos animais ocupam hoje um lugar significativo, não apenas em Portugal, mas na Europa e em tantos outros países do mundo. Se fizermos um simples exercício de regressão, seria impensável pensar que este tema ocuparia, um dia, um espaço de debate no seio da União Europeia. Penso que o que deve ser feito em prol dos direitos dos animais é cuidar e estimular o bem-estar dos homens. Amar mais, ouvir mais, dar. Acredito que o reflexo poderá operar significativas diferenças de comportamento em relação aos animais.

A decisão que envolve a adopção, compra ou acolhimento de um animal de companhia no seio familiar deverá passar por um período de reflexão. Sozinho ou em família, digamos que existe uma check list de infindáveis questões ligadas à chegada da nova companhia de vida. Eu não pretendo ser, de forma alguma, moralista. Pessoalmente, posso apenas dizer que o retorno é um presente de vida que ultrapassa as expectativas. Existe entrega, partilha, atenção, empatia, amor. Eu chego a achar que a Baü ri.”

Pedro Barroso

  • Actor
  • 31 anos
  • Vive em Lisboa
  • Participa actualmente na novela A Herdeira da TVI
  • Tem uma produtora de vídeo, a Blackout
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Fotografias cedidas por Pedro Barroso, com autoria de Tomás Monteiro e Blackout. Depoimento construído a partir de entrevista por email.

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