“Tenho dois gatos, a gata Pilar e o gato Zappa, e também uma cadela beagle, a Mali. A Pilar é uma gata especial, percebe muito do que lhe digo e é humilde, dócil e generosa. Se lhe peço para sair do quarto ela sai, nunca insiste, ao contrário dos outros gatos. Curiosamente, quando me sinto mais só ou triste, ela vem para cima do meu peito e tenta tranquilizar-me. Adoptei-a quando já era adulta, encontrei-a no meio da Serra da Arrábida. Era selvagem e estava no meio da estrada imóvel e com sangue — tinha acabado de ser atropelada. Levei-a comigo para o veterinário, ficou lá uns dias e depois de muita insistência minha começou a andar passado um mês.

O Zappa, bem, o Zappa é mais novo. Curioso, muito curioso. Tem um fascínio por água e não perde as minhas rotinas matinais de beleza. Consegue pôr-se em pé com as duas patas quando está mesmo curioso com alguma coisa e fica assim por uns instantes. Não é tanto dado aos meus ataques de beijos — ao contrário da Pilar, que adora e pede mais.

Sempre tive animais. O primeiro foi um cão. Eu brincava muito sozinha na rua, tinha uma árvore a que chamava de casa e um dia, cá de baixo, vejo um cão que me olhava lá de cima. Ficámos amigos e todos os dias nos encontrávamos no mesmo sítio. Ele começou a seguir-me até casa e depois até ao colégio onde ficava à porta seis horas seguidas, todos os dias. Os meus pais, na altura sensibilizados com a dedicação do cão, decidiram adoptá-lo.

Não sou uma pessoa nem de cães, nem de gatos. Sou dos dois, não tenho preferência. Mas a relação entre mim e eles é muito diferente. Os gatos são mais independentes e escolhem-nos. Os cães veneram-nos e somos o deus deles.

Com os dois aprendi sobre o que é a generosidade e confiança. Se tivesse que dar um conselho a um tutor de um animal seria, numa palavra, responsabilidade. Portugal ainda não está completamente desperto para as questões relacionadas com os direitos dos animais, faltam equipas de verdadeiro resgate e acompanhamento. No entanto têm sido feitos alguns esforços nos últimos tempos e reconheço o papel importante que os partidos de esquerda têm tido nisso.”

 

Helena Coelho

  • Modelo e apresentadora de televisão
  • 36 anos
  • Vive em Setúbal
  • É a cara da Natura Siberica em Portugal, uma gama de cosmética que usa ingredientes 100% naturais e não testada em animais e fundadora da The Birkin Basket
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Fotografias cedidas por Helena Coelho. Depoimento construído a partir de entrevista por email.

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