O circo Cardinali repudiou nesta terça-feira os cinco projectos de lei dos partidos de esquerda que serão discutidos na quinta-feira para acabar com o uso de animais nos circos, considerando-os “discriminatórios, preconceituosos e antidemocráticos”.

Em comunicado, Victor Hugo Cardinali invoca a “protecção constitucional” a que o circo tem direito enquanto “actividade cultural” e contrapõe que “em Portugal, o bem-estar animal em circos é uma realidade”.

“Hoje em dia, nenhum animal presente nos circos foi retirado do seu habitat natural, são todos fruto de gerações criadas pelo homem, onde este tem um papel fundamental para a sobrevivência” dos animais, com os quais há “uma ligação de afecto” quer por parte dos treinadores quer por parte do público, argumenta.

Dizer o contrário e querer acabar com animais nos circos deve-se a “uma convicção baseada em rumores, ignorância e em maus exemplos”, considera Victor Hugo Cardinali, contestando o “ataque inadmissível para com um sector cultural que sobrevive apenas do seu público”.

Aprovar a legislação proposta pelo PS, PCP, PAN, BE e Verdes levaria à “proibição da presença de animais nos circos, em vários graus”, mas em último caso “levariam ao fim de espectáculos com golfinhos” ou “a exibição da águia Vitória, do Benfica”.

“Subsistência de muitas famílias”

O circo Cardinali garante que as práticas do circo tradicional em Portugal incluem “dispendiosos cuidados veterinários 365 dias por ano e o bem-estar físico e psicológico dos animais”, reconhecido por “peritos em fauna selvagem e pelas entidades fiscalizadoras”, que incluem o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente.

Quando os circos chegam a uma cidade “as autarquias têm à sua disposição meios de fiscalização que permitem aferir as condições” em que os animais são mantidos.

“Somos os primeiros a defender a correcta aplicação da lei em vigor e promoção do bem-estar animal”, assegura.

Voltando à Constituição, Cardinali cita o artigo 43.º, que estabelece que “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Ao Estado compete defender este direito, além de “promover a democracia, a diversidade cultural”, e “também assegurar a subsistência de muitas famílias” que dependem do trabalho no circo

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