Esta notícia tem de ser lida com auscultadores. Isto porque fala de uma campanha solidária que mostra a realidade nos abrigos de animais, através do que por lá se ouve. “Já viu milhares de imagens que representam o abandono, mas quantas vezes já o escutou?”, perguntam, em jeito de desafio.

Depois, pedem que se “feche os olhos e se escute com atenção”. Ao clicar em “começar” é apresentado um clip de áudio que junta duas realidades: uma “de esperança”, no auricular esquerdo, e a outra que se tenta impor, a do “abandono”, no auricular direito.

No site da campanha “O Som do Abandono”, criado pela Royal Canin em parceria com a associação Animais de Rua, ouvimos as duas, ao mesmo tempo.

Primeiro, uma conversa entre uma criança, Paula, e o pai, que se prepararam para ir a um canil adoptar um cão. Quando lá chegam, os pedidos de ajuda fazem-se ouvir sem palavras, só latidos, até ao fim da experiência sensorial. E enquanto um dos cães, depois de ser adoptado, passa a ter nome, Cooper, e “muitos brinquedos”, os outros permanecem fechados no abrigo à espera da sua vez – e continua o “som do desespero e sofrimento”.

Tudo fica ainda mais real quando descobres que as gravações de som foram feitas no abrigo APAP Alcalá, em Espanha, com cães reais – que não sofreram “qualquer tipo de maus-tratos durante a gravação”, garante a empresa especializada em produtos de alimentação, em comunicado.

Quando chegas ao final da experiência, são apresentadas duas escolhas: ou partilhar o som da adopção, ou o do abandono. Por cada partilha no Facebook a empresa doa uma dose de alimentos, equivalente ao alimento diário para um animal de estimação, à associação Animais de Rua (até um máximo de dez mil refeições). Só desta vez, qualquer que seja a tua escolha é bem recebida.

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