Um parque para os cães poderem correr livremente sem trelas ou açaimes. A petição já tinha dado entrada na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) em Outubro, subscrita por 340 pessoas que pediam a criação do “Jardim da Cerca da Graça amigo dos animais”. A petição foi analisada pela Comissão Permanente de Ambiente e Qualidade de Vida que produziu uma recomendação para que a autarquia pondere a criação de um parque canino naquele jardim da Graça. Foi aprovada, esta terça-feira, por unanimidade em reunião plenária da assembleia municipal.

Ouvem-se críticas ao facto de cães andarem soltos, sem trela, no Jardim da Cerca da Graça, constituindo um perigo para quem pretende usufruir do espaço. A petição pedia que, em todo o parque, fosse permitida a livre circulação dos cães sem trela e sem açaime. No entanto, a solução encontrada passará pela “afectação de uma das áreas do parque para a criação do parque canino”, explicou a deputada do PAN e antiga Provedora dos Animais de Lisboa, Inês Sousa Real.

O Jardim da Cerca da Graça tem cerca de 1,7 hectares e liga os bairros da Graça e da Mouraria. Resultou da transformação da cerca do antigo Convento da Graça num jardim público e custou 874 mil euros à câmara de Lisboa, que é responsável pela sua gestão. É apresentado como um “sonho antigo” do vereador da Estrutura Verde, José Sá Fernandes, e demorou muito tempo a sair do papel. A construção foi marcada por sucessivos atrasos: o projecto, aprovado em 2009, previa que os trabalhos tivessem terminado em 2011, mas isso só veio a acontecer quatro anos mais tarde. As obras apenas começaram em 2013 e foram atrasadas pela descoberta de vestígios arqueológicos. Só seriam terminadas em Junho de 2015.

Na sessão, a presidente da junta de freguesia de São Vicente, Natalina Moura, considerou o Jardim da Cerca da Graça “um pulmão do centro histórico” da cidade. Só que menos de três anos depois a sua abertura, os espaços foram-se degradando, o lixo acumulou-se, assim como os dejectos dos animais. Problemas “que precisam de resolução urgente”, alertam os eleitos da AML, que requerem ainda ao município a “realização de um estudo relativamente às necessidades de melhoria das condições do jardim”. Pedem o reforço a “segurança do parque, nomeadamente ao nível da vedação das diferentes áreas existentes e seus desníveis, em particular do parque infantil, da higiene e conforto das diferentes infra-estruturas e ainda suas acessibilidades”.

A autarca de São Vicente mostrou-se ainda disponível para assumir a gestão do parque que está hoje nas mãos da câmara municipal.

Além da criação de um espaço para os animais, a recomendação aprovada pede também a “rectificação da sinalética existente no parque, mediante a sua adequação à legislação vigente em matéria de circulação dos animais nos espaços públicos”. Outra das sugestões apresentadas pelos deputados prende-se com a criação de mapas dos parques da cidade, e em particular os caninos, para que os munícipes possam perceber as alternativas que têm nas proximidades. Essa informação seria disponibilizada quer no site da autarquia, quer nos espaços verdes da capital.

Os deputados alertaram ainda para a “urgência” da “remoção dos ninhos e controlo da presença da processionária ou lagarta do pinheiro” que, em Janeiro do ano passado, levou 18 crianças de uma escola de Alvalade com ao hospital para receberem tratamento depois de terem estado em contacto com o insecto.

Em relação a parques caninos, Inês Sousa Real lembrou ainda que existem “várias iniciativas do orçamento participativo que, apesar de terem sido vencedoras, não viram até hoje a luz do dia”. A criação – ou não – deste espaço está agora nas mãos da autarquia.

Leia também

A Barkyn vai mostrar à Google como se opera no mercado dos animais de companhia

Todos os meses, a Barkyn vende mais de 20 toneladas de comida para cães através de um serv…