Mais dois linces ibéricos vão ser libertados no Alentejo, na quinta-feira, 1 de Março, pela primeira vez no concelho de Serpa, para reforçar a população selvagem da espécie a viver no Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG).

Trata-se da fêmea Odelouca e do macho Ouriço, que nasceram no Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro de Lince-Ibérico, no concelho de Silves, no Algarve, e irão integrar-se na população selvagem da espécie no PNVG, explicou esta quarta-feira o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

A libertação de Odelouca e Ouriço é a primeira de linces-ibéricos em Portugal a ser feita fora do concelho de Mértola, onde foram libertados todos os outros, e vai decorrer na Zona de Caça Turística da Herdade da Sobreira, que está situada em Serpa, abrange cerca de 20 mil hectares e integra a área de reintrodução da espécie no PNVG.

Segundo o ICNF, a libertação “ocorrerá pela primeira vez fora do concelho de Mértola, o que se deve ao novo contexto de distribuição da espécie, que conta com uma das fêmeas territoriais reprodutoras no concelho de Serpa”.

Trata-se de uma zona próxima do Pulo do Lobo, o “coração” do PNVG, de matagais e onde se pratica uma gestão agro-silvo-pastoril e cinegética “adequada ao fomento de coelho-bravo”, a principal presa e a base da alimentação do lince-ibérico, e à conservação de espécies selvagens, explica o ICNF.

Odelouca, que nasceu em Março de 2017 e tem quase um ano, e Ouriço, que tem menos de um ano, são os quarto e quinto exemplares de lince-ibérico libertados no PNVG este ano e no âmbito da quarta época de libertações da espécie integrada no Projecto de Recuperação da Distribuição Histórica do Lince-Ibérico em Espanha e Portugal “LIFE+Iberlince”.

Segundo o ICNF, desde Dezembro de 2014, quando começou a libertação de exemplares de lince-ibérico em Portugal, já foram libertados 27 animais no PNVG, três dos quais já este ano e no âmbito da quarta época de libertações, que vai incluir a libertação de Odelouca e Ouriço na quinta-feira e de um outro exemplar mais tarde.

Entre os linces libertados em Portugal, há três mortes confirmadas, a de uma fêmea por envenenamento em 2015, a de outra fêmea por doença em 2016 e a de um macho por atropelamento em 2017, ano em que a coleira emissora de uma terceira fêmea apareceu cortada a sul da área de reintrodução, mas o corpo do animal nunca chegou a ser encontrado.

Em contrapartida, fruto de reprodução em meio natural, nasceram 16 crias confirmadas no PNVG, onde, actualmente, segundo a monitorização do ICNF, há, pelo menos, seis fêmeas reprodutoras territoriais que estão prenhas e deverão ter crias durante o mês de Março, sendo este “um dos indicadores de sucesso da reintrodução”.

Segundo o ICNF, “o lince-ibérico é um dos felinos selvagens mais ameaçados do mundo e um dos predadores carismáticos”, como lembra a Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu 3 de Março como o Dia Mundial da Vida Selvagem e que este ano é dedicado aos grandes felinos para “dar-lhes visibilidade e garantir que estarão entre nós nas gerações vindouras”.

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