Um milhar de animais são abandonados/recolhidos por ano no concelho de Coimbra, onde, como “em todo o país”, os meios para responder à questão são insuficientes, disse esta sexta-feira, 9 de Março, Jorge Cid, bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários.

Embora não disponha de dados que permitam comparar aquela quantidade com a média nacional ou de outros municípios, Jorge Cid acredita que se trata de um número de abandonos “muito elevado”.

Muitos municípios não possuem sequer um centro de recolha oficial (CRO) de animais, destaca Jorge Cid, exemplificando que na região Centro apenas existem 35 destas estruturas (sucessoras dos antigos canis/gatis), correspondentes a cerca de metade dos concelhos que integram a zona Centro.

Além disso, adverte, “todos os CRO de animais existentes no país estão sobrelotados”, incluindo o de Coimbra.

Muitos municípios não dispõem de recursos financeiros para avançarem com a construção dos respectivos centros de recolha, nem, por outro lado, de meios técnicos e humanos para, depois, os colocarem em funcionamento, reconhece Jorge Cid, sublinhando que, no entanto, as câmaras estão cada vez mais sensibilizadas e empenhadas em resolver a situação.

Governo diz que há 131 municípios sem Centro de Recolha de Animais

Um programa para assegurar o bem-estar dos animais errantes

A OMV lançou, entretanto, o Programa de Apoio de Saúde Preventiva a Animais em Risco, normalmente denominado “cheque veterinário”, para criar “uma rede de cuidados primários médico-veterinários para animais em risco, nomeadamente no que se refere à vacinação, desparasitação, identificação electrónica e esterilização”.

O projecto, que abrange animais abandonados e recolhidos pelas autarquias e animais de famílias carenciadas deverá começar a ser executado dentro de um mês. Envolve “várias dezenas” de veterinários, cujo trabalho é gratuito, sendo os custos dos materiais suportados pelas autarquias.

Assegurando “as melhores práticas clínicas”, a Ordem espera, com o projecto, contribuir de forma decisiva para combater o “flagelo dos animais abandonados”, no prazo de “alguns anos, talvez cinco, seis ou sete anos”.

O principal objectivo do programa é precisamente “dotar os municípios com os instrumentos necessários” para responder a este problema e, portanto, para também dar cumprimento à lei 27/2016, que define “as medidas para a criação de uma rede de CRO de animais” e estabelece, designadamente, a proibição do “abate de animais errantes como forma de controlo da população”.

O “cheque veterinário” assume-se, assim, como “a forma mais eficaz, neste momento, para dar uma resposta nacional às necessidades dos municípios que têm de assegurar o bem-estar dos animais abandonados e recolhidos pelos CRO”, sustenta o bastonário.

Além disso, o programa também “permite que as famílias com baixos rendimentos, identificadas pelas autarquias, tenham acesso a serviços médico-veterinários certificados e de grande qualidade técnica e científica”.

A OMV continua a promover reuniões, abertas a todos o interessados, designadamente responsáveis e técnicos dos municípios, a próxima das quais está agendada para sábado, 10 de Março, às 10h30, em Coimbra, nas instalações do Conselho Regional do Centro da Ordem.

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