O movimento Coimbra dos Estudantes vai avançar com uma garraiada em Coimbra, na semana da Queima das Fitas, após os alunos terem decidido, em referendo, acabar com aquela iniciativa dentro da festa dos estudantes, disse esta quinta-feira, 15 de Março, o seu líder.

À pergunta “Deve o evento garraiada continuar no programa oficial da Queima das Fitas?”, 70,7% dos alunos da Universidade de Coimbra decidiram responder “Não”, no referendo realizado na terça-feira, 13 de Março. O “Sim” colheu 26,7% dos 5.638 votos registados.

Em consequência do resultado do referendo, o movimento Coimbra dos Estudantes, que lutou pela continuidade da garraiada, vai avançar com a iniciativa, com o apoio de “estudantes e antigos estudantes”, disse à agência Lusa o líder do movimento, Ricardo Marques, estudante de mestrado na Coimbra Business School e antigo aluno da Escola Superior Agrária de Coimbra.

“Os moldes ainda estão a ser definidos”, referiu, adiantando que estão em cima da mesa duas opções: a realização da garraiada na praça de touros da Figueira da Foz ou na cidade de Coimbra.

A garraiada a ser realizada vai decorrer “durante a semana da Queima das Fitas”, assegurou, sublinhando que vai ser financiada através da “boa vontade dos estudantes e antigos estudantes”.

“Não vamos ter apoio da Prótoiro [Federação Portuguesa de Tauromaquia]. É uma coisa dos estudantes e para os estudantes. A Prótoiro pode estar ao nosso lado, mas queremos que se mantenha este segmento, com estudantes e antigos estudantes a organizar”, frisou.

Ricardo Marques sublinhou que o que estava em causa no referendo era a continuidade da garraiada no programa oficial da Queima das Fitas, sendo que há “total liberdade para se dar uma garraiada a todos os que se revêem na mesma”.

Já o porta-voz da Prótoiro, Hélder Milheiro, salienta que a federação já se disponibilizou para apoiar a realização da garraiada em Coimbra.

Estudantes disseram não à garraiada na Queima das Fitas de Coimbra

“Os resultados são o que são. Perante isso, se a garraiada não se realiza de uma certa forma, felizmente, o movimento local vai avançar com a garraiada noutra circunstância”, afirmou à agência Lusa Hélder Milheiro, alegando que, apesar de respeitar “o princípio democrático” do referendo, está em causa “o princípio de liberdade e o direito à escolha”.

A afluência às urnas para este referendo acabou por ser significativa, face ao contexto. Houve mais estudantes a votar para este referendo do que para as eleições para a direcção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) em 2016, onde se registaram menos de cinco mil votos.

É isso que o presidente da AAC, Alexandre Amado, sublinha: “Foi uma participação expressiva e um resultado inequívoco. Julgo não existir nenhum ato eleitoral numa associação de estudantes com um número superior de votos em Portugal”.

Para Alexandre Amado, que era a favor do fim daquela prática tauromáquica na Queima das Fitas, a realização de uma garraiada fora do programa oficial não pode ser impedida.

“Ninguém pode impedir ninguém de promover actividades próprias e de organizar as iniciativas que pretender. Agora, a Queima das Fitas não vai ter garraiada”, vincou.

Após o resultado do referendo, o Conselho de Veteranos, que é um dos órgãos tutelares da Queima das Fitas e que rege as actividades tradicionais, terá a palavra final sobre a continuidade da garraiada no programa da festa.

Questionado pela agência Lusa, o dux de Coimbra, João Luís Jesus, referiu que vai ser convocada uma reunião de Conselho de Veteranos para a próxima semana em que irá levar “a proposta para acabar com a garraiada” dentro do programa oficial.

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