A Animal quer “impedir” a corrida aos patos em Porto Covo. Segundo a presidente da organização não-governamental de defesa dos direitos dos animais, o evento inserido nas festas populares da freguesia do concelho de Sines, há “pelo menos 40 anos”, é “cruel e absolutamente desnecessário”. “Queremos impedir” a realização da corrida, “à semelhança do que já aconteceu com tantos outros eventos onde o mote é o abuso de animais”, diz Rita Silva. A corrida, agendada para quarta-feira, 29 de Agosto, às 15h, “não vai ser desmarcada”, garante Cláudio Rosa, presidente da junta de freguesia.

Em causa está uma denúncia feita à Animal por “alguém que conhece o evento”. Na corrida vão ser largados 12 patos, contabiliza o presidente da junta de freguesia. Depois, vários grupos de pessoas, normalmente divididos por faixas etárias, nadam “atrás deles”, enquanto “centenas” de pessoas assistem. Quem conseguir apanhar um dos patos, fica com ele.

“Quando são apanhados [os patos] esperneiam e há mesmo quem lhes pegue pela cabeça e ande com eles à roda, como forma de festejo”, cita a organização, que diz ter visto “vídeos bastante ilustrativos”.

Já o presidente da junta de freguesia de Porto Covo, Cláudio Rosa, defende que “a corrida é uma tradição com pelo menos 40 anos” e que “atrai muita gente” à freguesia alentejana. Os patos perseguidos não são vítimas de “quaisquer maus-tratos”, assegura. Cláudio Rosa não quis confirmar se “parte das penas das asas dos patos” eram ou não cortadas de forma a dificultar a movimentação dos animais, como acusa a Animal. “O que eu gostava é que estas pessoas  [que se opõem à realização da corrida] viessem ver por elas mesmas se há algum tipo de maus-tratos aos animais”, disse, ao P3.

Depois de tomar conhecimento do evento, a Animal incitou os apoiantes a enviar emails, de forma “massiva”, tanto para o presidente da Câmara Municipal de Sines como para o presidente da Junta de Freguesia de Porto Covo. O apelo foi realizado através de uma publicação no Facebook, a 24 de Agosto. Até agora, nem a associação nem os cidadãos que enviaram “centenas de mensagens receberam qualquer tipo de resposta” dos orgãos executivos.

Cláudio Rosa confirma ao P3 que recebeu “muitos emails” e que não respondeu “a nenhum deles”. “Estão todos apagados, não temos nada que responder”, acredita, acrescentando que algumas das mensagens que recebeu tinham um teor “ofensivo”.

Aquando do apelo, a Animal publicou uma proposta de email que poderia ser enviado aos presidentes da junta e da câmara. “Tentar apanhar um animal que não quer ser perseguido nem apanhado, além de desnecessário, é cruel e deseducativo. Considero, que pela sua brutalidade, há actividades que devem ser mantidas no passado”, lê-se. No texto sugerido, pede-se “encarecidamente” aos responsáveis que “não permitam que tal actividade aconteça”, manchando “as festas locais, que são tão belas”. É escrito ainda que, se a corrida aos patos se realizar, “boicotarei o concelho de Sines, nomeadamente Porto Covo, e pedirei a todos os meus amigos e familiares para que façam o mesmo”. O cancelamento, alegam, colocaria o “concelho de Sines no caminho da ética e da modernidade”.

As “festas populares em honra de Nossa Senhora da Soledade”, organizadas pela junta de freguesia de Porto Covo, terminam à meia noite de dia 30, com o “tradicional fogo de artifício” junto à baía.

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